Amargo Açúcar: Flecha e Abraço na Ferida Colonial
O Doce Amargo do Açúcar»: A Literatura como Flecha e Abraço na Ferida Colonial Há livros que se leem com os olhos. Outros, mais raros, exigem que se prove cada palavra na língua, sentindo na boca o gosto que o título anuncia. «O Doce Amargo do Açúcar», de Paulo Mapu , não é apenas um romance histórico ambientado no Brasil do século XIX; é uma experiência sensorial e política. É um tapa carinhoso na face e um dedo em riste na ferida, tudo ao mesmo tempo. Paulo Mapu, filho de Sertânia, no coração de Pernambuco, não escreveu apenas a história de um amor proibido entre uma mulher indígena raptada e um homem negro escravizado. Ele fez mais: ele fundiu, na fornalha de um engenho, as duas maiores dores fundadoras deste país . Ao unir essas duas personagens, Mapu não está apenas criando um casal romântico; ele está promovendo um encontro ancestral, um acerto de contas histórico. Ele nos lembra que a história do Brasil não é uma narrativa única, mas um emaranhado de sile...






