Flávio Magalhães: O Arquiteto da Selva de Pedra (Por Héctor Pellizi)
A obra de Flávio Magalhães não é apenas um livro; é um desembarque brusco na estação da realidade, onde o «trem que passou pelo arco-íris» não carrega potes de ouro, mas a urgência faminta de quem busca liberdade em solo árido. Em «A Dança dos Macacos» (FASA, 2025) , o poeta pernambucano não pede licença; ele abre as veias da cidade e deixa o verso escorrer entre o asfalto e o esgoto. O Arquiteto da Selva de Pedra Magalhães observa o mundo com a lente de quem já quebrou todos os espelhos. Seus versos são «espelhos reversos» : não refletem a vaidade, mas o que está escondido atrás dela — a idiotia, o mau-caratismo e essa miopia social que nos impede de enxergar o próximo. A «Dança dos Macacos» proposta pelo autor é uma ironia fina e ácida. Não é o bailado lúdico da natureza, mas o movimento frenético de quem precisa «quebrar o galho» para sobreviver à estupidez humana. Ele reduz a complexidade vibrante do mundo a uma cinza crítica , mas o faz com tama...






